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Ana Vicente, autora de Burnout: A Hipocrisia Corporativa

Antes do burnout, meu corpo gritou: os sintomas que nenhum médico conectou

Por Ana Vicente · · 3 min de leitura

Antes de colapsar, eu peregrinei por médicos com dores paralisantes e desconexas. Perdi dois dentes. Paralisei dedos. Tive crises de herpes labial semanais.

Nada disso parecia ter relação entre si. E, durante muito tempo, ninguém fez essa relação. Nem eu.

Implorei por um diagnóstico

Implorei a tantos médicos por um diagnóstico. Ele veio, inicialmente, em pedaços:

  • depressão;
  • ansiedade;
  • distimia;
  • perimenopausa;
  • endometriose;
  • fibromialgia.

Cada consulta olhava para uma parte de mim. Nenhuma olhava para o que estava acontecendo no meu trabalho.

E ainda assim eu continuei entregando

Por anos. Para todos.

E quanto mais eu entregava, mais eu tinha que entregar.

Por que eu tolerei o assédio por tanto tempo

Depois de muito pensar por que eu tolerei assédio por tanto tempo, cheguei a uma resposta: eu estava tão exausta, tão no piloto automático, que não tinha energia nem para reagir.

Eu até tentei. Mas a energia era tão pouca que me custou saúde, autoestima e tempo de vida.

Essa é uma das faces mais cruéis do esgotamento: ele tira justamente a força de que você precisaria para sair da situação que está te adoecendo. Escrevi sobre esse ciclo, do assédio velado ao burnout, em Hipocrisia corporativa: do assédio velado ao burnout.

O preço é só você que paga

Nunca, jamais permita que façam isso com você.

Estabeleça e respeite seus limites. O preço é só você que paga.

Sintomas físicos do burnout que merecem atenção

O burnout não acontece só na cabeça. O estresse crônico afeta o corpo inteiro, e muitas vezes é o corpo que avisa primeiro. Alguns sinais físicos que podem estar associados ao esgotamento:

  • Dores sem causa clara, que mudam de lugar ou não respondem ao tratamento.
  • Tensão muscular constante, principalmente no pescoço, nos ombros e na mandíbula.
  • Bruxismo (ranger ou apertar os dentes), que pode causar desgaste e danos dentários.
  • Infecções e crises recorrentes, como herpes labial, gripes e resfriados frequentes, já que o estresse prolongado pode baixar a imunidade.
  • Alterações no sono: insônia, sono que não descansa ou despertares no meio da noite.
  • Problemas digestivos, dores de cabeça frequentes e cansaço que não passa.

Esses sintomas têm muitas causas possíveis, e as condições que eu citei acima são reais e podem existir ao mesmo tempo que o burnout. Por isso, a investigação médica é indispensável. O ponto é outro: quando o corpo adoece em várias frentes ao mesmo tempo, vale perguntar o que está acontecendo na sua vida, e no seu trabalho, além de tratar cada sintoma separadamente.

Se você se reconheceu nesta história

  1. Leve seus sintomas a sério, mesmo que pareçam desconexos.
  2. Conte ao médico como está o seu trabalho. Carga, pressão, conflitos, assédio. Isso faz parte do quadro clínico.
  3. Busque um profissional de saúde mental, como psiquiatra ou psicólogo, para uma avaliação completa.
  4. Veja os 10 sinais de que você está mais perto do burnout do que imagina e faça o Teste Raro de Estresse e Esgotamento para entender onde o desgaste está mais forte.

Se você estiver em sofrimento intenso ou tiver pensamentos de se machucar, procure ajuda agora: ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas) ou acesse cvv.org.br.

Perguntas frequentes

Burnout causa sintomas físicos?

Sim. Além do esgotamento emocional, o burnout pode vir acompanhado de dores de cabeça, tensão muscular, alterações no sono, problemas digestivos e queda de imunidade. Esses sintomas também podem ter outras causas e precisam de avaliação médica.

Por que o burnout é confundido com outras doenças?

Porque os sintomas se sobrepõem aos de quadros como depressão, ansiedade e fibromialgia, e porque muitas vezes o contexto de trabalho não é investigado na consulta. Um quadro não exclui o outro: eles podem coexistir.

Burnout tem relação com assédio moral?

Pode ter. Situações de assédio no trabalho são uma fonte intensa de estresse crônico e podem contribuir para o esgotamento. Além disso, o próprio esgotamento reduz a energia para reagir, o que pode prolongar a exposição ao assédio.

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